As Esquinas do Tempo

terça-feira, 24 de março de 2009

(para ler a sinopse. aqui)


Antes de deixar a minha opinião, aqui deixo os dois excertos que achei lindos, a maneira como estão escritos, como as palavras fluem sem haver muitos pontos finais, a simplicidade cheio de doçura, a poesia escondida na prosa:

“Mariana teve a noção exacta daquele momento mágico. Mesmo que quisesse não conseguia falar. Ele continuava a esculpi-la com as suas mãos de artista, machadas do seu ofício, tão doces, tão suaves, tão carregadas da imensa energia de ternura. Ela deixava-o fazer. Primeiro tinha os olhos abertos, depois fechou-os para o sentir melhor. Gemia de vez em quando, pequenos gemidos de entrega absoluta, mas era muito cedo, Inácio pensava demorar-se infinitamente naquele reconhecimento do seu território: o rosto, o pescoço, os ombros, os braços, o peito. O maravilhoso peito, sentido com a ponta dos dedos, os mamilos que se crispavam, ai, as dulcíssimas linhas do ventre. Que dizer daquele umbigo, tão fechadinho como uma rosa em botão. E logo a seguir a mancha escura do seu corpo, tapando a entrada das delícias pelas coxas unidas, era assim que ele queria, apalpou-lhe as pernas, fortes por montar a cavalo, os músculos desenvolvidos, e os pés, quentes, lindos, perfeitos, que não se conteve e beijou e começou a sua peregrinação de beijos em sentido contrário, agora as pernas, agora as coxas, o sexo, a barriga, o umbigo, a pele macia e fresca que se seguia até ao peito, ah, agora sim, a sua boca sentia a doçura daquele peito de virgem e logo o pescoço, as orelhas e, lentamente o rosto e a boca. Eram beijos serenos, naquele boca dos seus mais íntimos desejos, fê-la virar, e começo a descida pelas costas musculadas, abençoado cavalo, que assim esculpira a sua amada, o rabinho duro, pequeno, torneado, e de novo a virou e a sua boca estava no lugar certo, e agora não havia como não a beijar, ai, ai, dizia ela e, devagar, foi-se erguendo sobre aquele corpo de maravilha, só seu, e a sua Mariana que todos diziam arrapazada, recebeu-o na sua feminilidade total, gritou de alegria, procurou-lhe a boca, e abraçada a ele como uma náufraga, desfaleceu de prazer. "– pág 175

"É o vento que perpassa nas copas das laranjeiras, que vem do mar e traz as gaivotas. É o vento que faz oscilar as minhas cortinas, que se insinua como um segredo por entre os arbustos do jardim. É o vento que me conta histórias antigas, antigas como se fosse uma criança que não quisesse dormir. Não o ouves? Não. É o vento que sopra só para mim. É o vento manso, doce, da loucura, que me invade lentamente e me deixa à mercê dos seus dedos de nuvem, tão suaves e meigos. " – pag. 199


Foi o primeiro livro que li da Rosa Lobato de Faria. Dantes, estava com o pé atrás, desconfiada, incerta, mas lá peguei o livro para matar a dúvida e passar a ter certeza de uma vez por todas. Para ver se gosto ou não. Há que experimentar, aliás esta escritora é bastante falada e estimada entre as leitoras femininas (E os masculinos? Não sei.)

E surpreendeu-me! Deixei-me levar pela corrente da escrita e cheguei ao fim, podendo finalmente respirar-me.

É uma história diferente, com um toque de fantasia, em que uma mulher – a personagem principal – do sec. XXI recua ao passado, no inicio do sec XX, em 1908. Não é através da máquina do tempo ou algo assim. É outra coisa, "as esquinas do tempo". E aí podemos ver as diferenças daquele tempo e do agora. É fácil adivinhar, claro, toda a gente está informada, mas a história fala de famílias, de dramas, de amor. Contada com uma escrita muito própria da Rosa Lobato de Faria. Palavras flutuantes mas pesadas que as podemos sentir, palavras musicais que nos fazem embalar ou sorrir, palavras que até chegam a sangrar no papel como o caso da violência doméstica.

Mas, confesso, ao princípio achei um pouco confuso, em relação a duas Margaridas que se encontravam no mesmo ano temporal, mas em dois sítios diferentes: a Casa de Azenha e o Convento. Só comecei a perceber já a meio do livro…

Irei ler mais livros desta escritora, está garantido.

Classificação: 4/5

Deixa Falar o Coração

sexta-feira, 20 de março de 2009


(Para ler a sinopse - aqui)



A minha opinião:


Depois de ter lido um livro pesado, quase escuro como carvão - aqui, precisei de uma leitura mais leve, de uma história que me desse um pouco de calor e luz, que me fizesse sorrir e ter de novo a alegria de viver, e sobretudo que me fizesse voltar a acreditar na bondade e amizade das pessoas. E este livro veio mesmo a calhar!

Na verdade, o título não é nada apelativo, faz parecer com que se trata de uma história de amor ou algo assim para o lamechas. Devo dizer que este título é redondamente enganoso ou “desencaixado”. Ainda por cima, a capa tem cores tristes, frias, apáticas, parece estar a transmitir uma imagem de abandono… Aquele cartaz do café-restaurante realça ainda mais a negatividade, parece que ainda não abriu. O “abre brevemente” fora uma ideia de um grupo de amigos, uma piada apenas (pronto, não conto mais!).

Então, o que é que este livro fez com que me agarrasse a ele e começasse a lê-lo? Fora a frase, aquela que se encontra traçada a preto sobre as nuvens da capa do livro e as últimas palavras da sinopse.

«Um olhar cheio de Sol sobre o lado negro da vida. » - Kirkus Reviews

“(…) história comovente e optimista (…) não perca esta obra, humaníssima (…) ao ensinar a todos o que é a generosidade, a solidariedade e o amor”

Assim foi, entrei um pouco esperançada nesse pequeno mundo, o do café-restaurante, e surpreendeu-me!

Encontrei personagens maravilhosas: Caney, o dono do “Café” – paraplégico vitima da guerra no Vietname, Vena Takes Horse – uma mulher de personalidade forte com sangue índio que reserva um segredo há muito enterrado, Bui – o tão sensível e amoroso Vietnamita que está sozinho nos EUA, Molly O. - uma mãe espectacular de uma filha tão problemática, entre outros. São Vena e Bui que vão alterar o clima do café e cativar o coração de todos.

Enquanto durou a leitura, foi delicioso estar ao lado das personagens. Proporcionou-me momentos de gargalhadas, sorrisos, lágrimas, emoções… Adorei!

A escrita não é nada de especial, está muito longe de ser uma obra-prima. Mas lê-se bem, é apenas uma porta para entrada a este mundo ficcional.

Classificação: 3/5

(Obrigado a uma pessoa do bookcrossing por me ter dado a sugestão de ler este livro que eu desconhecia por completo e por ter tido uma amabilidade extrema de mo emprestar)

O Terceiro Ano no Colégio das Quatro Torres

sábado, 14 de março de 2009




A minha opinião:

Diverti-me imenso a ler o terceiro livro da Colecção Colégio das Quatro Torres e é este definitivamente o meu preferido, ou seja, foi o que mais gostei! Porque adoro cavalos e identifiquei-me com uma destas novas alunas – a Guida - e também com a professora “Miss Peters”. Elas tinham uma grande paixão por cavalos.

Achei fantástica a forma como a Guida chegou ao colégio. Veio a galopar no seu cavalo negro – Trovão - vindo acompanhada de seus sete irmãos também a cavalo. A Guida espantou todas! Uma maria-rapaz sardenta e de cabelo curto. Este colégio tinha uma cavalariça e, portanto, o Trovão ficara instalado no colégio e ela podia vê-lo todos os dias, uma maravilha! Mas, claro está, as coisas não iriam correr bem… ela será castigada e proibida de ver o Trovão… e depois o trovão… as desobediências… Não vou contar, a fim de não quebrar a magia do suspense mas foi o que mais me emocionou, fazendo com que os meus olhos ficassem húmidos.

Ainda mais, tive boas gargalhadas em relação às alunas Zilda e Mavis. Os episódios sucedidos com elas, achei mesmo hilariantes!

Como não podia deixar de ser, inclui as lições morais: fala-se de sonhos desfeitos mas que “não é fim do mundo”, há que procurar a superar e a encontrar outra forma de aceitar, de viver. E também relata as consequências da vaidade cega.

Gostei das surpresas atrás de surpresas até ao final do livro!

A Caixa em forma de Coração

quinta-feira, 12 de março de 2009



(Para ler a sinopse, clique aqui)


“Uma obra de terror da maior qualidade.” – Time

“Uma história de terror desenfreada, hipnotizante e perversamente espirituosa.” - The New York Times

“Uma história de horror forte. Tem momentos genuinamente emocionantes.” - Library Journal

“Uma estreia memorável.” - Publishers Weekly

“O horror está sempre presente e é oportuno.” - KirkusHill escreveu uma história de fantasmas implacavelmente assustadora.” - Bookseller“A Caixa em Forma de Coração é uma história de horror com um estilo único.”- Locus

“Joe Hill criou uma obra que está ao nível de muitos clássicos do horror.” - Horror World Book Reviews

“A obra de Hill é tão assustadora como um telefonema de um amigo que morreu.” - Entertainment Weekly

“A Caixa em Forma de Coração é uma leitura assustadora.” - Chicago Sun Times




A minha Opinião:

Tive que pegar este livro emprestado porque já se encontrava retido a apanhar pó na minha estante desde há dois meses. A dona do livro tinha imposto nas regras, o prazo para o ter em posse um mês… portanto, já estava ultrapassado.

Aprecio este género de histórias mas, para dizer a verdade, não estava com uma disposição para entrar no mundo infestado de fantasmas. Deste modo, não foi uma altura propícia para o ler. Mas já está lido, e ainda bem. Porque gostei!

Estive quase para o desistir, até que a meio do livro, a história começou a agarrar-me de tal maneira que fiquei “viciada” nela! O suspense crescente e hipnótico, a música das palavras, as emoções que pareciam saltar do livro para fora, os murmúrios e as explosões fantasmagóricos que surgiam repentina e inesperadamente a meio de nada… Tudo isto surpreendeu-me, de facto!

A história começa, quando o assistente pessoal do vocalista recebe uma novidade, vinda de um leilão online, na qual dizia que estava posto à venda um fantasma, isto é, o fato de um homem que morreu mas que está assombrado pelo fantasma deste. O vocalista fazia colecção deste tipo de coisas. Portanto, ficou interessado e comprou-o. O tal fato chegou às mãos do vocalista, vinha dobrado dentro de uma caixa em forma de coração preta, daí o título do livro. Depois, irão suceder episódios assustadores… Portanto, não é aconselhável ler à noite, principalmente para quem não costuma ver filmes de terror, como é o meu caso.

Gostei das duas personagens principais, não imediatamente mas sim à medida em que os fui conhecendo melhor no decorrer da leitura – o vocalista de Rock de cabelos compridos, com uma barba até ao peito, vestido de roupas pretas, e a sua namorada gótica de unhas pintadas a preto, também vestida a preto, com tatuagens e tudo. As aparências iludem-se, eles não são o que aparentam ser.

Este autor Joe Hill tem talento e imaginação férteis, tal como o seu pai - o tão aclamado autor Stephen King. É como se costuma dizer: “O filho do peixe sabe nadar”.

Para finalizar, este livro é só para quem gosta deste género, mas acho que irá desapontar os verdadeiros fanáticos de terror, se já estão bastante acostumados a cenas de violência e a fantasmas maus. Devo dizer que a melhor altura para o ler é, sem dúvida, no dia das bruxas!

Classificação: 3/5

Amar depois de Amar-te

domingo, 1 de março de 2009


(Para ver a sinopse, clique sobre a imagem)



A minha opinião:

Já o terminei, finalmente, só hoje! Levei quase uma semana a lê-lo mas não foi por desinteresse, muito pelo contrário, foi por motivos de trabalho e falta de tempo.

Bem, o que dizer deste livro? Eu já esperava deste tipo de escrita, o facto de ser bastante light, mas optei por o ler porque precisei. Para me desanuviar e também para voltar a acreditar nas segundas oportunidades...

O livro está dividido em três partes, em três casos amorosos de três mulheres: Filipa, Carolina e Teresa. Três mulheres com vidas totalmente diferentes. Todas com relações falhadas mas que voltam a reconstruírem-se. São histórias que, à primeira vista, parecem tão óbvias mas que na realidade não é assim tão fácil…

Gostei de o ler porque são casos comuns que podem ser o de uma amiga, de uma colega ou de uma vizinha.

Poderá o amor ser cruel e destruir a auto-estima de uma pessoa (violência verbal)? Poderá uma mulher, cujo marido parecia ser a sua vida, voltar a reconstruir-se depois de este ter-se descoberto de que não era feliz a seu lado e que não a amava e poderá este marido conseguir dizer a verdade à mulher e seguir o seu coração? E se os sonhos de realização pessoal de um casal forem inconciliáveis, que solução a tomar?

Das três histórias que mais me rendeu, foi a da Carolina. Achei esta história mais bem desenvolvida e contada, contendo diálogos carregados de verdade.

No entanto, gostei menos deste livro que o outro que li da Fátima Lopes – aqui. Achei este livro mais levezinho, devo dizer até demais, que o anterior.

Felizmente que o pedi emprestado (através do bookcrossing) em vez de o comprar.

Classificação: 3/5


Outras opiniões (positivas e negativas):

Os Filhos da Droga

domingo, 22 de fevereiro de 2009



A minha Opinião:

Ao contrário da maioria de leitores, demorei mais do que o previsto a ler este livro. Não quer dizer que desgostei, longe disto, mas havia partes do livro que me fez ficar bastante deprimida e não só como também aparecia partes deveras chocantes que me custava a ler… Mas li tudo e cheguei ao fim do livro.

O livro fez-me agarrar, apesar do horror que é o mundo da droga, porque a Christiane era diferente. À medida que fui lendo, compreendi perfeitamente porque é que ela se meteu na droga. Talvez, se eu estivesse no lugar dela, teria feito o mesmo, só para estar integrada no grupo de amigos que à primeira vista pareciam bastante bons, seguros e confiantes. Depois, quando metida na droga, é tudo tarde demais. O “turkey”, um sintoma da falta de droga, é um tormento horrível… Por isso, eles não conseguiam parar, tomavam droga para fazer desaparecer o “turkey”. Para obter droga, era preciso dinheiro e ganhavam-no desde o roubo à prostituição. Christiane era muito nova, só tinha 13 anos quando se meteu nisto. Maquilhava-se e vestia-se para se parecer mais velha. Ela amava os animais e a natureza, era incapaz de violência e tinha uma grande sensibilidade.



(Christiane F. - Antes e Depois)


Christiane queria parar, curar-se, muitas vezes tentou… O seu grande amor - Detlef - também era drogado, ela tentava convencê-lo para desintoxicar os dois juntos…



(Detlef )

Alguns dos seus amigos morreram de overdose, entre quais a Babsi, a mais nova vitima de heroína daquele tempo.

(Babsi)


Christiane tinha muito medo que a sucedesse o mesmo. Foi a mãe dela que a salvou. Também as palavras da mãe aparecem no livro, no que ela sentia ao descobrir e ver a filha a enveredar-se pela droga. Tem sido muito doloroso para esta mãe…

Por fim, recomendo a leitura deste livro a todos jovens e pais. Acho importante que se discutem este tema, à volta deste livro, para os fazer ver como a droga pode fazer… Ainda hoje, há filhos de famílias boas que seguiram por este caminho, uns somente por curiosidade, outros por influência de amigos, ainda alguns por ter pensado que a droga os levava a suportar os problemas ou que os podia levar ao estado de felicidade.

Christiane escreveu este livro a fim de transmitir a informação do perigo da droga, a realidade nua deste mundo, e sobretudo um aviso para nunca experimentar droga, para nunca seguir o caminho que ela seguiu!


Classificação: 5/5 (Indispensável e obrigatório)

Mais informações:

Após o livro

Christiane sobreviveu, mas nunca conseguiu se livrar do vício. Aos 45 anos, tomava vários medicamentos, passava regularmente por sessões de terapia que não eram bem sucedidas.

Tem hepatite C (doença incurável) e problemas circulatórios. Os médicos, além de afirmarem que, devido a eles, ela pode ter uma crise súbita, dizem também que seu estado é irreversível. Em dezembro de 2005, o serviço público de saúde alemão registrou duas internações da paciente.

Christiane passou um período morando num apartamento simples em Berlim com dois tios e com o filho, Jan-Niklas.

Detlef também sobreviveu e trabalha como motorista de ônibus em Berlim. Mora com sua esposa e dois filhos e garante que se livrou das drogas em 1980.


Actualmente

Aos 46 anos de idade voltou a tomar drogas pesadas.

O filho vive actualmente numa instituição para menores nas redondezas de Berlim, e os avós deverão ajudar a decidir onde será a sua futura morada.

O novo drama de Christiane começou no início de 2008, quando ela e o namorado decidiram emigrar para a Holanda, levando a criança. Ao ter conhecimento do plano, a justiça alemã tomou a criança da mãe, com a ajuda da polícia. Pouco tempo depois, ela sequestrou o próprio filho e fugiu para Amesterdã. Na capital holandesa, Christiane voltou a consumir heroína.

Após uma zanga com o namorado, Christiane regressou no final de junho de 2008 à Alemanha, quando seu filho foi retirado de sua guarda pelas autoridades alemãs

- retirado daqui.

Cinematrogáfico:

Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo (br: Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída / pt: Filhos da droga) é um filme alemão de 1981, baseado no livro homônimo, escrito pelos jornalistas Kai Hermann e Horst Hieck, publicado e editada pela revista alemã Stern em 1978, que narra a história da personagem principal Christiane F., uma consumidora de drogas.

Com o sucesso do livro e com a comoção da opinião pública pelo drama vivido pela jovem Christiane, o diretor Ulrich Edel resolveu transformar a história de Christiane e dos jovens da Estação Berlin Zoologischer Garten de Berlim em filme. O lançamento de Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo foi em 1981, e contou com a atriz Natja Brunckhorst interpretando Christiane, e Thomas Houstein como Detlef R. Apesar de nunca ter atuado, a atriz de quinze anos surpreendeu os críticos com uma atuação chocante. Edel descobriu Natja enquanto ela brincava no playground de seu colégio. Natja aceitou o papel e, com o consentimento de seus pais, gravou o filme. Já Thomas Houstein que interpretou Detlef, foi descoberto num clube atlético e no início recusou o papel.




Um Amigo Chamado Henry

domingo, 8 de fevereiro de 2009

(Para ler a sinopse, clique sobre a imagem)


«Verdadeiramente impressionante... terrivelmente comovente.» - Evening Standard

«Muito mais do que um emocionante relato sobre a amizade entre um rapaz e o seu cão. É também a dolorosa luta de uma mãe pelo amor do seu filho autista» - Herald


A Minha Opinião:

Se pensam que este livro é sobre um cão, sobre as suas aventuras ou outra coisa, tal como o do “Marley&Eu”, então estão enganados! Porque não é somente sobre o cão, é muito mais…

É sobretudo um livro de grande lição. É sobre o impossível que se tornou possível, tudo graças ao amor dos pais pelo filho autista. É sobre a determinação enorme, trabalho árduo, esforço diário e luta sublime de uma mãe (a própria autora – Nuala Gardner) para encaminhar o filho (Dale) à socialização e a uma vida preenchida e feliz. O cão teve um papel crucial para o filho vencer o autismo, sem dúvida, mas foram os pais que o ajudaram. Devem estar a perguntar: como assim? Então, leiam.

Eu desconhecia por completo o autismo. Não fazia a mínima ideia de que se tratava esta doença, como os autistas reagiam ou algo assim, pois até agora não conheci alguém que fosse autista, embora uma amiga minha trabalhe com autistas e conte-me histórias (mas escassamente) acerca deles. Até vi filmes com personagens autistas mas nunca eram suficientes ou claros. E agora estou bem informada e esclarecida.

A autora sofreu muito. Foi apontada/observada negativamente ou injustamente criticada pelas outras mães de filhos normais. E ainda mais para piorar: Nuala queria que a doença do filho fosse reconhecida o mais cedo possível para depois poder encaminhá-lo correctamente e, no entanto, foi mal vista ou recebida pelos médicos e outros profissionais, estes “catalogaram-na” erradamente, dizendo que o problema devia vir da mãe, da forma como esta criava o filho, em vez do próprio filho… Ela, no limite do desespero, chegou ao ponto de querer suicidar-se, foi por pouco! E, a partir dali, as coisas começaram a melhorar… Ela foi contra todos, foi em frente com isto, tapou os ouvidos aos comentários negativos, contrariou alguns profissionais da educação, tirou proveito das obsessões do filho para posteriores aprendizagens, descobriu que o filho reagia melhor com os cães e então arranjou um para ele, este cão tornou-se a maior salvação, Nuala ainda trabalhou arduamente com o filho, dedicando a ele o seu tempo exclusivo e, acima de tudo, dando-lhe muito amor. E conseguiu! Dale passou a estar integrado em escolas normais até à universidade! Como? Leiam… Se pensam que é fácil, não é. É uma luta muito, muito, muito DURA!




(Dale e Henry - o seu salvador)


Depois foi a vez da segunda filha, também ela autista. Felizmente, os pais já tinham ganho bastante experiência. Fizeram o mesmo a esta filha como fizeram ao Dale e os resultados foram, desta vez, bastantes rápidos. A filha também irá (ou já deve) estar integrada em escolas normais.


(A familia Gardner, com o pequeno Henry e o Sir Henry - o salvador do Dale)


O final impressionou-me muito, a maneira como o Dale teve a coragem de ficar com o seu estimadíssimo cão, olhando-o nos olhos até o cão expirar. Chorei tanto…
E, o mais emocionante, são as palavras do próprio Dale nas últimas páginas do livro e o desenho que ele fez ao Henry. O desenho está fabuloso, os olhos do cão estão desenhados de uma forma tão tocante em que se vê o amor contido neles.

Actualmente, Dale é feliz, tem amigos normais, participa em actividades sociais.



(Dale, o pequeno henry, Nuala Gardner)


Recomendo, cem por cento, a leitura. É um livro para abraçar e acarinhar.

Classificação: 5/5 (Nota: não é uma obra-prima literária obviamente, a escrita é muito simples, mas é uma história de vida; é um verdadeiro exemplo da importância dos pais na evolução dos filhos autistas; é portanto um livro a não perder!)


Documentário:


Adorei ver a mãe e o pai a falarem, e algumas partes em que mostram o Dale, quando era criança, a fazer festinhas e a escovar o Henry, o amor que este tinha pelo cão e a paciência enorme que este tinha pelo Dale.







Alma e os Mistérios da Vida

sábado, 31 de janeiro de 2009




Minha Opinião:

De facto, este livro revelou-se uma fabulosa surpresa!

Comprei-o na feira do livro no ano passado. Ao passar numa “casa editorial” da Oficina do Livro, o livro estava exposto em cima do balcão, tinha acabado de ser estreado, bastante fresco, até reluzia e tudo. Fez-me atrair como um íman. Lá fui pegá-lo, pondo-me a espreitá-lo, a folheá-lo e a decidir se devia comprá-lo ou não… Era tão tentador. Hesitei durante um bocado, porque não associava a Luísa Castel-Branco à figura de escritora, devido à sua profissão e aparência. Mas é claro que nunca devemos dar importância ao que a pessoa faz ou trabalha nem ao seu aspecto. Cada pessoa tem os dons escondidos e a aparência é sempre uma ilusão.

Afinal, o livro fez-me ver quem era a Luisa Castel-Branco. Fiquei a vê-la de outra perspectiva, ou seja, esta figura pública conquistou a minha grande admiração!

Já o devia ter pegado, há mais tempo, imediatamente depois de o ter comprado, o que não fiz. Ali ficou o livro a aguardar que eu o pegasse, o pobre do livro quase como que abandonado e esquecido, a apanhar pó, mas graças aos comentários dos outros, fizeram-me convencer de vez. Ainda não entendi como é que pude hesitar tanto… Mas foi o que aconteceu.

A leitura, deixa-me vos dizer, deliciou-me como uma música de embalar, desde o princípio até ao fim. Muitas vezes, deixava-me a saborear as palavras ou a mastigar mentalmente o açúcar das palavras.

A história começa com Alma, desde o seu nascimento até à sua morte. É definitivamente a história da Alma e os seus mistérios. Ela era invulgar e, no entanto, muito especial. Não quero revelar quem foi esta Alma de cabelos ruivos… É o segredo do livro que só a leitura irá desvendar! Depois há a Dona Sofia, uma mulher fidalga que a cuidou como se fosse sua filha, achei a relação entre elas tão profunda e tão intensa que me tocou de tal maneira. Elas eram demasiado parecidas e mulheres excepcionais, inteligentes e de espírito aberto.

A autora descreveu tão bem os sentimentos, vestiu-os de metáforas ricas mas leves e doces, fez com que eu sentisse todos os sentimentos (da Alma, da Dona Sofia, entre outras personagens femininas) à flor da pele. Amor, felicidade, ódio, tristeza, medos…

Para finalizar, eu diria que este livro é acerca de mulheres, desde as camponesas às fidalgas, naquele tempo de Ditadura. Fala um pouco da PIDE ou refere alguns pontos da Ditadura, mas muito fugazmente como pano de fundo.

Adorei simplesmente! Um livro magnífico!

Os meus parabéns, em forma de estrelas, à Luísa Castel-Branco!

Classificação: 5/5 (DELICIOSO!)



Outras opiniões:

As leituras da Fernanda (olha, no decorrer da leitura, sublinhei a lápis algumas frases que mais me marcaram e verifiquei agora que são as mesmas que as tuas, fiquei como se diz “sem fala”, toda arrepiada! Assustas-me a valer! :P)


Gótica

terça-feira, 20 de janeiro de 2009


(para ver a sinopse, clique sobre a imagem do livro)



A Minha Opinião:

Gostei! O conto é original, um pouco diferente de todas as histórias de vampiros (atenção, não li a Saga do “Crepúsculo” e por isso não o posso fazer comparação).

A história gira em torno da Analisa, uma mulher espanhola do sec XVIII, que contra a sua vontade se virou vampira. É ao longo da história que a vamos acompanhar, testemunhar a sua transformação de vida humana para a vida vampírica e sentir os seus sentimentos, desde o séc XVIII até à actualidade em Madrid. A Analisa tocou-me bastante...!

E ainda mais, o livro dá-nos a conhecer ou nos leva a compreender melhor o mundo gótico. O vestuário, a arte, os costumes. Os góticos acreditam na existência de vampiros e têm o fascínio por tudo o que se relaciona com a morte, como por exemplo, cemitérios (para eles, as lápides são uma arte). Muitos góticos são filhos de pais normais e a reacção que estes têm nos filhos é triste, proíbem-nos de vestir roupas góticas ou de negro. Muitos deles são incompreendidos, rejeitados ou mal tratados…

Uma referência curiosa acerca dos góticos em relação à bissexualidade:

«(…)Violeta sabia que os ambientes góticos eram já por si um pouco “bissexuais”, mas de forma alguma se considerava ambígua nessa matéria. Por mais de uma vez raparigas góticas tinham-se-lhe insinuado. Era algo lógico dentro do seu submundo, mas Violeta nunca tinha sentido qualquer atracção sexual por uma mulher. Fazia parte do jogo, dos papéis que os góticos assumem perante o exterior. Dentro da casa era diferente. A explicação era bem mais simples: alguns góticos, muito introspectivos, apreciavam a bissexualidade por a considerarem uma componente extra da estética pseudo-vampirica. Viam-na com bons olhos pois quando um vampiro atacava, não tinha em conta o sexo das vítimas, já que o que realmente lhe interessava era o seu sangue» - Pág 60

Para finalizar, este livro está muito longe de ser uma obra-prima. A história podia ter sido melhor, se fosse contada com mais emoção, desenvolvimento e profundidade. Não a achei bastante terror, ou seja, não me causou calafrios, isto foi devida à simplicidade da escrita, à superficialidade da história com que é contada.

Devo ainda mencionar que houve partes em que me fez perder ou baralhar… Foi a tradução que achei péssima!

Classificação: 3/5 (vale a pena para entusiastas de vampiros e mundo gótico)

Outras Opiniões:
Aqui #1
Aqui #2 (está a ser realizada um bookring)

Sobre a autora:


Foto: ©Elena G. Cardona


Grafopsicóloga y escritora madrileña, lleva ejerciendo el periodismo especializado y de investigación en temas insólitos y misteriosos desde hace veinte años. Ha colaborado asiduamente con numerosas publicaciones y en diversos programas de radio y televisión. En la actualidad es redactora-jefe de la revista Más Allá de la Ciencia.
En su faceta de escritora es autora de nueve libros entre los que destacan Sueños (Martínez Roca), que ya ha alcanzado siete ediciones y Grafología (Libros Cúpula), un completo tratado sobre esta disciplina. Además ha escrito novela fantástica sobre hadas, brujas y unicornios y varias guías mágicas de España. Su novela Gothika ha sido galardonada con el premio Minotauro 2007.

Curiosidades:



Solstício de Inverno

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009



Sinopse:

Ao abandonar Londres por uma bonita aldeia do Hampshire, Elfrida Phipps sente-se em casa. Tem uma pequena vivenda, o fiel cão Horace, e a amizade dos vizinhos Blundell - em especial a de Oscar - para garantir que os seus dias incluem companhia e independência.
Mas uma tragédia imprevista perturba a tranquilidade de Elfrida. Ela refugia-se numa casa na Escócia, que se torna um íman para vários vadios. Parece a receita certa para a calamidade. Mas o grupo acaba por tornar-se maior do que a soma das suas partes e Elfrida vê-se no centro de um Natal bastante mágico.

Rosamunde Pilcher combina eloquência e compaixão para criar personagens que revelam a forma como verdadeiramente vivemos e amamos. Repleta de tragédia e renovação, Solstício de Inverno possui uma narrativa cativante repleta de emoção.



A Minha Opinião:


Recebi este livro em Abril, como emprestado do bookcrossing, graças à kittycatss (um grande beijinho para ti!), e retive-o até ao Natal mas, dando sempre notícias do livro à dona, afim de ela ficar descansada. E, ainda bem que o fiz, o facto de o ter retido, pois a altura mais acertada ou indicada para o ler é na época natalícia. Pois, tal como a sinopse revela, o enredo passa-se precisamente nessa quadra festiva.

Lendo-o com o frio a envolver-nos e as luzes coloridas acesas ao fundo da sala a piscar discretamente, torna esta história ainda mais real e extremamente mágica, tocante e comovente, uma leitura deliciosa que nos chega a proporcionar um enorme sorriso e um conforto acalorado, acima de tudo mostrando-nos o verdadeiro sentido da Vida e o significado do Amor.

É impressionante a forma de como a autora construiu esta história em que desenrolam inesperados acontecimentos, tanto maus como bons, num espaço de tempo tão curto!

De facto, é uma história simples mas a escrita (a grande especialidade de Rosamunde Pilcher!) dá-lhe uma beleza rara, faz com que as coisas simples ou mesmo insignificantes se tornem especiais, ficando até com um brilho que parecem provenientes de um conto de fadas.

Há dramas familiares, tragédia, novas amizades, amores a nascer e crescer, surpresas recheadas de surpresas, alegrias inesperadas e encantadoras, pequenas belezas de Vida…

Achei lindo o natal desta história, não o posso pormenorizar, senão perde toda a surpresa. É segredo, está embrulhado em palavras, só a leitura é que o abre e assim a magia natalícia sai do livro para fora.

E as personagens, um tesouro! Soube-me tão bem acompanhá-las. Tocaram-me de tal maneira profunda. São pessoas comuns mas, humanas e realistas.

Definitivamente, não vou esquecer tão cedo desta história!

Classificação: 5/5 (Delicioso!)

Balanço literário de 2008

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008



Devo dizer que este ano, em termos de leituras, foi bastante produtivo!

Li 46 livros (22 a mais que em 2007) e gostei muito da maior parte deles.

Dando uma vista de olhos rápida pela lista de livros lidos, cheguei à conclusão de que as minhas viagens literárias foram variadas. Passei pelo Bairro Social de Inglaterra onde pairava a corrupção, prostituição, droga e violência mas conheci uma mulher fabulosa que teve o azar de ter nascido e crescido nesse bairro e também passei pelo Bairro Social Australiano onde conheci umas personagens bizarras mas interessantes; transpirei de terror numa história sanguinária de telemóveis; atravessei a guerra passada no Iraque e, no meio de pó e barulho das metralhadoras, amei um cãozinho tão amoroso; aprendi algumas coisas sobre piercings e tatuagens; conheci os últimos czares da Rússia; visualizei um amigo imaginário de uma criança que me fez rir e chorar; escutei as conversas trocadas entre as duas crianças alemã e judia no campo de concentração da II Guerra Mundial; “vivi” a aventura e a emoção na África; entrei no mundo estranho dos computadores e da bruxaria; entusiasmei-me incrédula com os recordes da Guiness; vi a nascer uma história de amor a partir do mundo virtual; participei num mundo circense dos elefantes e voei com os trapezistas; tornei-me espia ao lado das mulheres da SOE no tempo da II Guerra Mundial; envolvi-me na política e na competição das Ciências; testemunhei um amor entre duas mulheres e também entre dois homens; estive na ilha dos leprosos na Grécia; sofri com as duas mulheres no Afeganistão mas testemunhei uma bela amizade entre elas; recuei ao século XVIII na China e escutei a sabedoria destas mulheres chinesas; descobri o escândalo financeiro; testemunhei as terapias de regressão a vidas passadas...

Os livros que mais me marcaram profundamente foram:

01. Duas Mulheres, de Martina Cole
07. The Kitchen Boy - Os Últimos Dias dos Romanov, de Robert Alexander
08. Se me Pudesses Ver Agora, de Cecilia Ahern
10. O Rapaz do Pijama às Riscas, de John Boyne
11. Irmãs de Sangue, de Stephanie e Barbara Keating
31. A Ilha, de Victoria Hislop
32. Salto Mortal, de Marion Zimmer Bradley
33. Tim, de Colleen McCullough
38. Mil Sóis Resplandecentes, de Khaled Hosseini
40. Só o Amor é Real, de Brian L. Weiss



Escândalo

sábado, 27 de dezembro de 2008




Sinopse:
Lucinda e Nigel. Elizabeth e Simon. Debbie e Richard. As suas vidas eram privilegiadas e o futuro sorria-lhes. Mas um dos maiores escândalos financeiros de sempre na Grã-Bretanha destrói tudo o que haviam construído e põe em causa a própria base das suas vidas. Casamentos e carreiras, famílias e amigos. Quem sobreviverá a estas tragédias pessoais? Quem apoia e quem trai?

Uma história de ascensão e queda, de paixão e abandono, capaz de abalar todas as nossas convicções sobre a vida e sobre nós próprios.

Afinal, tem a certeza que sabe como se comportaria se a sua vida mudasse drasticamente? Se o seu futuro estivesse em perigo?
Pode, com toda a convicção, dizer o que faria se perdesse tudo?


Minha Opinião:

Gostei, não o livro em si, mas sim o tema em questão. Achei-o interessante.

É sobre o escândalo financeiro. Quem não tem conhecimentos de finanças, pode pensar que deve ser uma história bem complicada ou uma maçada, mas não é.

A história centra-se à volta das personagens, nomeadamente, as vítimas.

Apresenta-se quatro famílias: Beaumont, Fielding, Cowper, Morgan ... Eram membros de uma seguradora Llody´s que constitui vários consórcios de seguros, entre quais, marítimo, industrial, etc. Estes membros recebiam, em cada ano, elevados lucros. Durante 10 anos têm sido assim, recebiam imenso dinheiro, viajavam bastante, compravam muitas casas e acções, etc.

O consórcio principal da Llody´s começou a ter graves problemas, devido a asbestose (as industrias de automóveis e imobiliários utilizavam amianto, um produto tóxico que provocou cancro a muita gente) e, então, este consórcio deve que pagar elevadas indemnizações e causando assim elevados prejuízos à Llody´s e, por conseguinte, aos membros que tiveram que pagar montanhas de dívidas. Não é o caso para se ter pena deles, pois tinham recebido muito dinheiro durante vários anos e já seria de esperar destes riscos, de que um dia podia acontecer…
Mas não é este o escândalo que intitula o livro, é outra coisa, o que a seguradora fez depois para remediar estes prejuízos.

Sou uma ignorante de economia ou de finanças, pouco percebo deste assunto, mas a autora conseguiu dar-me uma ideia nítida acerca disto tudo. Portanto, é inteiramente acessível a pessoas que desconhecem este género de assunto.

A história passa-se mais em torno das vítimas, sobretudo, o que lhes vai acontecer. Infelizmente, desiludiu-me... Tive mais a sensação de estar a ver uma novela ou uma série, de estar a acompanhar as personagens exteriormente em vez de interiormente. Ou seja, não senti, por exemplo, a mínima aflição deles ou algo assim. Foi essa, a força emocional, que achei em falta na história…

Mas, apesar desta falta e da pobreza literária, gostei. Prendeu-me. Não consegui alargar o livro! Confesso que esperava outro final, estava com umas expectativas altas, não foi o que pensei que acabasse. Afinal, os ricos safam-se sempre… Achei irónico a forma como a autora construiu estas personagens, sendo os ricos como as melhores pessoas, de coração bondoso e tudo mais. Belos, ricos, snobes, e … extremamente bondosos.

Gostei especialmente da Debbie Fielding e da Catherine Morgan, foram as minhas preferidas.

Recomendo para quem se interessa pelo tema e para quem gosta de literatura muito "light".

Classificação: 3/5



Outras opiniões:
Aqui #1 (foi a opinião da marcia que me motivou para lê-lo)

O Segundo Ano no Colégio das Quatro Torres

sábado, 13 de dezembro de 2008




Sinopse:

Mais entusiasmadas do que nunca, Diana, Celeste e Milu voltam às Quatro Torres para mais um ano escolar.
Alice continua a pregar as partidas mais incríveis.
Eduarda revela-se uma heroínam Milu mostra ser uma verdadeira amiga e Helena uma jovem muito determinada.
Não fiques de fora deste divertido colégio interno.
Junta-te a estas raparigas aventureiras no regresso ao Colégio das Quatro Torres.


Minha opinião:

Mais uma vez, esta leitura deliciou-me bastante, muito mais do que a anterior. Foi bom reencontrar Diana, Celeste e Milu e conhecer novas colegas como Belinda, Helena e Eduarda. São todas diferentes, cada uma com as suas características e defeitos e, no entanto, todas especiais à sua maneira.

Esta história tem mistério, um pouco do género de “Os Cinco” ou “Os sete”, mas nada de bandidos e policia! Apenas que alguém andava a roubar as coisas valiosas das alunas...
Como esta colecção é destinada para os leitores mais jovens, tive facilidade de adivinhar a ladra. Mas, apesar disto, soube-me muito bem ler este mistério, está bem estruturado e é capaz de nos prender de uma forma vidrada (para mim, funcionou!).

Milu surpreendeu-me em cada capítulo. Devo dizer que esta aluna é uma rapariga-exemplo, a quem todas as raparigas devem seguir.
Milu ajudava uma colega que tinha dificuldades em relação a uma disciplina porque gostava dela e queria ser sua amiga. Ao principio, a colega serviu-se dela… Mas, Milu fez uma coisa incrível apesar de a colega a ter usado!

«– Vou levá-lo porque sou amiga da Eduarda – respondeu Milu com voz trémula – Ela pode não ser minha amiga, mas se eu sou amiga dela vou continuar a querer ajudá-la.»

E Milu dava tudo, sem pedir nada em troca. Um grandioso exemplo de uma verdadeira amiga.
Hoje em dia, a maioria espera sempre receber algo em troca e não a dar apenas.


O Primeiro Ano no Colégio das Quatro Torres

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008


Sinopse:


Diana Rivers enfrenta um grande desafio - ser uma das melhores alunas do 1ºano no cólegio interno das Quatro Torres. Mas conseguirá ela o seu propósito com tantas partidas e brincadeiras? Diana e as suas novas amigas são postas à prova em situações qie revelam a coragem da pequena Milu, a sensatez da catarina, a vaidade da Ludovina e a bondade da Celeste.

Minha opinião:

Esta colecção "Colégio das Quatro Torres" foi uma das poucas colecções de Enid Blyton (uma das minhas predilectas escritoras) que não cheguei a ler durante a minha adolescência. Eu adorava "os Cinco", "os Sete", "Uma aventura", foram leituras deliciosas!

Soube-me bem pegar este livro, as saudades que já tinha de ler os livros desta escritora! Foi uma leitura muito divertida!

Achei este colégio interno um paraíso. Situava-se num topo de uma falésia com o mar à vista e tinha ainda enormes jardins e uma piscina natural.
Achei muito engraçadas as partidas que as alunas pregaram às professoras, como por exemplo, aquela partida numa aula de francês em que uma aluna fingiu que estava surda (eu encontrava-me num café público quando li esse episódio e tive que fazer todo o esforço para não me rir alto, foi demais!).
Gostei muito de acompanhar a Diana, a Celeste e a Milu.

Este livro transmite uma forte mensagem: as verdadeiras amigas são aquelas que menos "desejamos" à primeira vista ou que nunca pensamos que viessem ser as nossas melhores amigas mais tarde.

O Leque Secreto

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008


Sinopse:

Numa remota localidade chinesa do século XIX, assistimos ao desabrochar de uma das mais belas e inquietantes histórias de amizade. Numa sociedade em que as mulheres desempenham um papel de total submissão, resta-lhes a esperança de um bom casamento para minimizar o facto de serem raparigas – e uns pés delicados e sedutores podem garantir um futuro próspero. O primeiro passo é enfaixá-los com ligaduras para que mais tarde adquiram uma forma e tamanho perfeitos. Este é um momento de grande sofrimento que Lili terá de suportar com apenas sete anos, mas em breve conhece Flor de Neve, a jovem escolhida para ser a sua laotong – uma espécie de irmã de juramento – e estabelece-se entre elas uma ligação emocional que durará a vida inteira. Com o passar dos anos, as duas mantêm uma amizade profundamente sincera e cúmplice, trocando mensagens e poemas em nu shu – uma linguagem secreta feminina – inscritos num leque de seda, onde partilham sentimentos, sonhos, mágoas e esperanças. Mas um dia os laços de amor que sempre as uniram serão postos em causa… Obra vencedora do Southern California Booksellers Association Award para melhor romance de 2005.


O Leque Secreto é o relato fascinante, delicado e por vezes doloroso de duas vidas que se tocam e se completam, imortalizando um amor que superou barreiras sociais, políticas e morais.

“Um retrato intenso e extraordinariamente realista de uma mulher marcada pelo sofrimento, e da amizade que lhe dá forças para sobreviver.”
Arthur Golden, autor de "Memórias de uma Gueixa"

A minha opinião:

Foi uma leitura envolvente que me prendeu do princípio ao fim. Uma escrita bastante fluente e nítida, carregada de sentimentos profundos e tocáveis.
A história passa-se no século 19 numa província de Jiangyong e é sobre mulheres chinesas daquele tempo, o enfaixe dos pés, os casamentos, as tradições, mas é sobretudo sobre nu shu – uma linguagem escrita que foi criada pelas próprias mulheres em que só elas conheciam estes códigos (era interdito aos homens, estes não podiam saber este tipo de linguagem) e sobre a relação laotong (uma ligação entre duas mulheres para toda a vida em que podiam partilhar todos os sentimentos, uma espécie de ligação de “amiga-irmã”).
A escritora, antes de construir esse romance, conheceu pessoalmente a última mulher chinesa que utilizava nu shu, Yang Huanyi, que na altura tinha noventa e seis, e foi através dela que soube a história do enfaixe de pés, as festividades e os casamentos (estão contados pormenorizadamente no livro).
Yang Huanyi
E depois conheceu uma professora que actualmente ensina nu shu que lhe contou as histórias das avós que utilizavam nu shu.
Ainda há um museu de Pequim onde estão expostos documentos em nu shu: leques, bordados, cartas, etc. Mas existem poucos escritos em nu shu, uma vez que os manuscritos eram queimados ou enterrados com suas autoras.

Após uma profunda pesquisa, a escritora construiu um belo romance, criou duas personagens fictícias: Lírio e Flor de Neve, e acrescentou os factos históricos verídicos.
É um romance muito fácil de ler e de imaginar, é próprio para qualquer leitor que não tem nenhum conhecimento histórico acerca da China, e além disto, as palavras parecem ter vida. Senti dor, tristeza, amor, raiva, traição, ódio, remorso, tudo como se estivesse dentro das personagens. Também me identifiquei com alguns sentimentos delas.
É uma comovente história de amizade, mas eu diria que é amor profundo ou um casamento de emoções entre duas mulheres. Elas eram definitivamente uma só.
A escritora escreveu esta história com o coração, com uma sensibilidade extrema e amor.
Gostei muito, amei!

Natal...

domingo, 30 de novembro de 2008

Tenho que começar já a seleccionar os livros para presentes de Natal. Normalmente, dão-me um vale da Fnac que chega para 5 ou mais livros, por isso terei que escolher bem, principalmente aqueles que mais desejar ler, com sinopses extraórdinarias,polémicas ou cativantes, não devo dar demasiada importância ao nome do autor ou ser atraída pela popularidade do livro em questão, mas sim sobretudo à história em si!
Para ver a sinopse de cada livro, clique sobre cada imagem.




Muitas Vidas, Muitos Mestres

quarta-feira, 26 de novembro de 2008


Sinopse:
Como psicoterapeuta tradicional o Dr. Brian Weiss sentiu-se espantado e ao mesmo tempo céptico quando uma das suas pacientes começou a recordar traumas de vidas passadas que pareciam conter a chave para os seus pesadelos constantes e ataques de ansiedade. No entanto, esse cepticismo cedeu quando ela começou a canalizar mensagens do «espaço entre vidas» que continham revelações notáveis sobre a família do Dr. Weiss e o seu filho já falecido. Usando a terapia de vidas passadas foi capaz de curar a paciente e iniciar uma nova fase da sua carreira muito mais significativa. Comovente e inspirador, este livro cativará todos aqueles que se interessam por terapia através da regressão a vidas passadas.


A minha opinião:

Este livro, apesar de ser muito interessante e bastante útil, tratando-se de um tema fascinante e, ainda por cima, de uma história verídica, não é tão envolvente como o anterior "Só o Amor é Real" (clique aqui). É um pouco mais descritivo... Há partes em que o psiquiatra procura interpretar ou justificar as acções observadas na paciente enquanto hipnotizada, ou seja, relata as suas próprias divagações sobre os extraordinários resultados da hipnose. Portanto, isto faz com que quebre o desenrolar espontâneo da história.
Ainda devo referir que há partes repetitivas em relação a hipnose, mas estas repetições são necessárias (não vou dizer porquê senão estaria a revelar todo o conteúdo do livro!). Deste modo, exige muita paciência da nossa parte na leitura...
E, como seria de esperar, pelo facto de ter lido o livro anterior, achei esta história previsível ou esperada. Já sabia que a Catherine iria ficar "curada" ou liberta de medos, fobias, ansiedade...
Contudo, apesar das repetições e da previsibilidade, valeu a pena esta leitura, deu-me a ficar a saber mais coisas!

O psiquiatra Dr. Brian Weiss era bastante céptico de reencarnação, só acreditava em factos científicos ou concretos, até à altura em que recebeu a paciente Catherine que sofria de muitos pânicos atrozes e estava a piorar de dia para dia... O psiquiatra já tinha feito hipnose por regressão de idade (significa que recuamos à nossa infância e visualizamos tudo com uma nitidez como se fossemos outra vez criança mas sob a perspectiva da nossa consciência adulta)... Fez isto à paciente e não lhe deu resultado, a Catherine continuou na mesma. Era costume dar aos pacientes fármacos antidepressivos mas eles nunca estavam verdadeiramente curados, ficavam apenas "adormecidos" ou "drogados". Felizmente, o psiquiatra não receitou a medicação à Catherine, queria-a "desperta" para terapia e, um dia, decidiu experimentar a hipnose por regressão a vidas passadas... A partir daí, tudo mudou! Foi uma descoberta fenomenal e uma mudança drástica de 360º para ambos!

Os livros de Dr. Brian Weiss não são para nos fazer acreditar, mas sim são apenas histórias verídicas que de facto aconteceram. Depois, fica ao critério de cada leitor acreditar ou não. Também são livros que nos permitem pensar e nos ajudam a despertar para uma harmonia e paz espiritual.


Classificação: 4/5 (indispensável!)

P/ mais informações:
Aqui #1 (do blog Folhas de Papel)

A Casa dos Anjos

quinta-feira, 20 de novembro de 2008



Sinopse:

A Casa dos Anjos é uma vivenda de um bairro mal afamado de Sidney para onde vai viver a jovem Harriet Purcell. São os anos 60, Harriet tem 21 anos e não suporta o ambiente opressivo da sua família burguesa.
Na nova casa, Harriet entra em contacto com um mundo bizarro e cativante. Estabelece relações com os outros inquilinos, um pintor sem recursos, um emigrante alemão apaixonado por música e culinária, um casal de namoradas. Sobretudo, inicia uma amizade especial com a dona da casa, a senhora Schwartz - cartomante, vidente e médium - e com a sua filha, a pequena Flo, que é muda.
No decorrer de um ano intenso, Harriet descobre o amor, o sexo, a liberdade e a afirmação de si própria. Mas quando uma tragédia se abate sobre a casa, a jovem tem de reunir todas as suas forças para salvar Flo de um destino de solidão e dor.

«Um absorvente drama familiar, repleto de paixão, tragédia, amor e… sexo.»
Sunday Telegraph

«Deliciosamente viciante… uma história clássica de poder e riqueza. Uma leitura a não perder.»
Sainsbury's Magazine

A Minha Opinião:
É uma história diferente em que a personagem principal, Harriet Purcell, conta no seu diário as suas aventuras sucedidas num bairro social australiana.
A escrita é muito engraçada (suscitou-me algumas gargalhadas) e ao mesmo tempo envolvente. Contém um pouco de suspense, ou seja, faz com que o leitor fique a especular de como irá a história terminar, e o final é realmente surpreendente.
Achei interessante a variedade de personagens, foi o que mais gostei do enredo, deu-me a parecer uma novela australiana um tanto bizarra!
Gostei bastante da personagem principal, um verdadeiro exemplo de mulher confiante e segura, que sabia o que queria e não se deixava sofrer ou ser-se influenciada por coisas fúteis de amor, e ainda mais, respeitava a diferença de todas as pessoas ou via-as como pessoas. Por isso, achei este livro especial mas, fora disto, não é uma obra prima ou que merecesse na classificação 5 estrelas, pois é simplesmente um "diário". Mas é bom, está relatado de uma forma que nos prende do princípio ao fim, é um espaço literário de "convívio" com personagens invulgares mas cativantes, ou seja, é um reflexo amplo das diferenças sociais. E, além disto, é comovente, mesmo de tocar o coração!

Classificação: 3/5 (vale a pena!)

Só o Amor é Real

sexta-feira, 7 de novembro de 2008




Sinopse:

Pedro e Elisabeth não se conheciam e não tinham nada em comum, excepto o facto de serem ambos jovens e de sofrerem de ansiedade e depressão. Começaram a fazer terapia com o Dr. Brian Weiss e esta circunstância, aparentemente casual, revelou-se um verdadeiro estratagema do destino. Graças à sua mente aberta e à sua experiência com terapia por regressão, revelada no seu best-seller Muitas Vidas, Muitos Mestres, o Dr. Weiss intuiu desde logo que Pedro e Elisabeth estavam intimamente ligados um ao outro. Ambos descreviam, com uma nitidez espantosa, experiências das mesmas vidas passadas. Seria possível que eles se tivessem amado ao longo de várias vidas e que estivessem agora separados? Só o Amor é Real descreve o longo e, por vezes, doloroso processo da reunião destas almas gémeas e a emocionante descoberta do amor que as uniu ao longo de séculos. Mas revela também uma importante mensagem: que cada um de nós tem uma alma gémea, uma pessoa que nos acompanha ao longo das nossas vidas.


A Minha Opinião:

Adorei, simplesmente fabuloso e divinal, uma história veridica contada sob a forma de romance, sobre a regressão a vidas passadas, ou seja, sobre a terapia por hipnose.
É lindo como o Pedro e a Elisabeth se encontraram, como as duas almas gémeas se reencontraram.
Fez-me arrepiar as suas viagens a vidas passadas, o modo como eles descreviam os pormenores passados do ambiente, do vestuário e das acções, os seus reencontros com os entes queridos já falecidos em vidas passadas e esta certeza de que se vão reencontrar em vidas posteriores, a maravilhosa ligação de um amor forte com uma alma gémea...
O Amor é a verdadeira razão da existência!
E, ainda mais, a hipnoterapia é a cura de todos os males como fobias, depressão, ansiedade, baixa auto-estima, falta de auto-confiança, insónias, raiva, etc. Temos tudo isto devido a vidas passadas.
O livro fez-me abrir os olhos a novos horizontes da Vida e ao verdadeiro significado do Amor...

Vou deixar aqui uma parte do livro, da página 17, capitulo 1:

«Há sempre alguém especial para qualquer um de nós. Frequentemente existem duas ou três, ou mesmo quatro. Provêm de diferentes gerações. Viajam através dos oceanos do tempo e das profundezas das dimensões celestiais para estarem novamente connosco . Vêm do outro lado do Céu. Estão diferentes, mas o seu coração reconhece-os. Coração esse que os teve nos braços de que então dispunha, nos desertos banhados pelo luar do Egipto e nas planícies primitivas da Mongólia. Cavalgaram juntos nos exércitos de um general-guerreiro esquecido, e viveram juntos nas cavernas agora soterradas dos Anciãos. Estão unidos pela eternidade e nunca estarão sós.

A sua cabeça pode dizer: “Mas eu não o conheço”. Mas o seu coração sabe que não é assim.

Ele pega-lhe na mão pela primeira vez, e a memória do seu toque transcende o tempo e perturba profundamente todos os átomos do seu ser. Ela olha-o nos olhos e você vê nela uma alma que foi sua companheira através dos séculos. O seu estomâgo revira-se. Os seus braços ficam arrepiados. Tudo o que é exterior a este momento perde a importância.

Ele pode não reconhecê-la, mesmo que finalmente se tenham encontrado de novo, mesmo que você o reconheça . Você consegue sentir o laço da união. Consegue ver o potencial, o futuro. Mas ele não . Os seus medos, o seu intelecto, os seus problemas mantêm um véu sobre os olhos dos seu coração. Ele não a deixa ajudá-lo a remover esse véu. Você lamenta-se e sofre, e ele segue o seu caminho. O destino pode ser tão volúvel.

Quando ambos se reconhecem, nenhum vulcão poderia entrar em erupção com mais paixão. A energia libertada é tremenda.

O reconhecimento das almas pode ser imediato. Um sentimento súbit0 de familiaridade, a sensação de conhecer esta nova pessoa a uma profundidade muito para além daquela que a consciência poderia conhecer. A uma profundidade geralmente reservada aos familiares mais íntimos. Ou ainda mais do que isso. Saber intuitivamente o que dizer, como vão reagir. Um sentimento de segurança e confiança muito maior que aquele que alguma vez poderia ser conquistado num dia, numa semana ou num mês.

O reconhecimento de almas também pode ser lento e subtil. Uma alvorada gradual à medida que o véu é gentilmente removido. Nem todos estão preparados para o reconhecimento imediato. Há que dar tempo ao tempo, e muita paciência pode ser necessária para aquele que vê primeiro.

Pode despertar para a presença de uma alma companheira através de um olhar, um sonho, uma memória ou sentimento. Pode despertar pelo toque das suas mãos ou dos seus lábios, e a sua alma é reanimada de volta à vida plena.

O toque que desperta pode ser o de um filho, de um dos pais, de um irmão ou de um verdadeiro amigo. Ou pode ser do seu amado, procurando através dos séculos beijá-la mais uma vez para relembrá-la de que estão juntos, sempre, para a eternidade.»


Classificação: 5/5 (altamente recomendado!)

A Casa na Praia

quinta-feira, 30 de outubro de 2008



Sinopse:

Quando casou, Sydney estava perdidamente apaixonada pelo marido Andrew, um piloto de aviões carismático e aventureiro. Mas o medo de o perder num acidente de aviação quase a leva à loucura, deixando-lhe apenas uma alternativa: o divórcio.
Quando voltou a casar, Sydney acreditou que nada tinha a temer, afinal Daniel era um jovem e pacato médico. Mas o destino prega-lhe uma partida, e o seu segundo marido morre subitamente no hospital onde trabalha.
Desencantada e sem rumo, a jovem viúva aceita um emprego de Verão na magnífica costa do New Hampshire. O que ela não podia imaginar era que o amor ainda lhe reservava grandes surpresas.


A Minha Opinião:

Gostei mais ou menos! Nem muito, nem pouco.
Ao principio, achei uma confusão porque a história começa com muitas personagens. Quem é o homem que segura a toalha? Que faz a Sidney ali? Quem são Mr e Mrs Edwards? Quem é a Julie? Quem são os hospedes? Etc.

É uma história vulgarzinha, nada de especial, é sobre uma mulher chamada Sydney, casada duas vezes que teve depois o azar de se ter divorciado e ficado viúva...
Na casa de praia, onde a Sydney vai passar durante o Verão, vai lhe acontecer algo e é o que vamos testemunhar.

Estive quase para desistir, já estava a ficar sem paciência, a suspirar de frustração, a sapatear o sapato no chão e a pensar "Para onde é que isto vai dar?", até que surpreendemente cheguei a uma parte do enredo que me fez agarrar ao livro, graças a uma personagem muito especial: a Julie. Foi quem mais me cativou e achei uma pena por ela ter sido uma personagem secundária ou fugidia.

O que não gostei do livro, foram a existência de muitos diálogos insignificantes e a repetição de descrições que achei desnecessárias. Cheguei a ler na diagonal ou saltar partes maçudas.

Não é o livro que valesse a pena comprar, ainda bem que o pedi emprestado. É mais indicado para se distrair e a boa altura para o ler é no Verão, deitada sobre a areia sob as caricias do sol na pele...

Classificação: 3/5


Observações:

Li outros livros da Anita Shreve entre quais: "A Praia do Destino", "Luz na Neve" e "Casamento em Dezembro", e de todas que gostei mais, foi o primeiro, sem dúvida, o melhor romance da escritora e é a que recomendo mais.