Ainda Alice

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009




«Não quero esquecer, Amor, o Amor que tivemos.»


Sinopse:

O mundo de Alice é perfeito. Professora numa conceituada universidade, é feliz com o marido, os filhos, a carreira. E tem uma mente brilhante, admirada por todos, uma mente que não falha… Um dia, porém, a meio de uma conferência, há uma palavra que lhe escapa. É só uma palavra, um brevíssimo lapso. Mas é também um sinal de que o mundo de Alice começa a ruir. Seguem-se as idas ao médico e, por fim, a certeza de um diagnóstico terrível. Aos poucos, Alice vê a vida a fugir-lhe. Amada pela família, unida à sua volta, é ela que se afasta, suavemente arrastada para o esquecimento, levada pela Alzheimer.

Ainda Alice é a narrativa trágica, dolorosa, de uma descida ao abismo, o retrato de uma mulher indomável, em luta contra as traições da mente, tenazmente agarrada à ideia de si mesma, à memória de uma vida e de um amor imenso.


A minha opinião:

Apesar de esta história estar centrada num tema medonho/asfixiante que é a doença de Alzheimer, surpreendeu-me muito pela positiva. Não consegui parar de ler, até cheguei a ler até às 2h da manhã, o que não é costume em mim, pois tenho a tendência de adormecer antes da meia-noite. Fiquei muito impressionada com a história... Uma mulher tão inteligente, a perder a memória aos poucos, já não conhecendo os seus própios filhos e marido, e perdendo a sua própria identidade...

Senti como se estivesse dentro da Alice e a esquecer tudo. Vivenciei todo o seu pânico e depois toda a sua confusão. De repente, nas últimas páginas, já não havia nomes, eram apenas pessoas: um homem, uma jovem actriz, uma mãe com dois filhos. Era assim que a Alice as via. Estas pessoas eram, na verdade, a sua família. Deveras assustador...! Mas, o que mais me comoveu, foi a luta da Alice, a sua consciência de ser diferente por ter Alzheimer, e acima de tudo, o amor da família.

A história está bem escrita numa linguagem acessível a toda gente. Aprendi muito sobre esta doença. Recomendo altamente!

«Alice queria dizer-lhe tudo o que se lembrava e pensava, mas não conseguia fazer com que todas essas palavras e pensamentos, compostos de tantas palavras, expressões e frases, passassem pelas ervas daninhas e pela lama e se transformassem em sons audíveis.
Tentou resumi-los e concentrou todos os seus esforços naquilo que era mais essencial. O resto teria de ficar naquele local antigo, que sobrevivia.
- Sinto falta de mim.
- Eu também sinto a tua falta, Alice, muito.
- Nunca planeei ficar assim.
- Eu sei.»


Sobre a escritora:

Formada em Psicologia e doutorada em Neurociência por Harvard, Lisa Genova foi investigadora em áreas como a depressão, a doença de Parkinson e a perda de memória. Interessou-se pela Alzheimer quando a sua avó deu os primeiros sinais da doença. Interrogando-se sobre como se sentiriam as pessoas que a vivem, vendo o mundo desagregar-se à sua volta, decidiu escrever este romance. Depois de tentar, em vão, vários agentes, optou por uma edição de autor. O sucesso do livro chamou a atenção e uma grande editora americana adquiriu os direitos. Logo na semana de relançamento, entrou para a lista de best-sellers do New York Times.


Outras Opiniões:

Aqui #1 (Opinião da JM do blog "Favourite Readings". Estou-lhe deveras agradecida por me ter dado a sugestão deste livro que eu desconhecia por completo.Obrigada!)

Aqui#2 (Opinião da Carla Martins do blog "Leitura (mais que) Obrigatória", uma opinião deveras sentida e rica, com a qual partilho 100%.)

A Pintora de Plantas

quinta-feira, 26 de novembro de 2009




Sinopse:


Em 1774, a segunda expedição do Capitão Cook aos Mares do Sul registou uma ave até então desconhecida: o espécime foi capturado, conservado e trazido de volta para Inglaterra, onde acabou por ser entregue ao naturalista Joseph Banks. Estranhamente, nenhum outro exemplar dessa ave voltou a ser visto, nem nas Ilhas da Sociedade, onde fora encontrado, nem em qualquer outro ponto do planeta. E, mais estranhamente ainda, o espécime que Joseph Banks exibiu orgulhosamente na sua colecção também acabou por desaparecer. Se não fosse uma ilustração a cores feita pelo desenhador que viajara a bordo do navio de Cook, dir-se-ia que a Misteriosa Ave de Ulieta, como ficou conhecida, nunca chegara a existir.
Duzentos anos mais tarde, o irreverente professor John Fitzgerald recebe um telefonema suspeito de uma antiga paixão. Curioso sobre a razão do reencontro, descobre afinal que Gabriella e o seu actual companheiro têm um estranho pedido a fazer-lhe: sendo Fitz o maior estudioso da sua área, deve ajudá-los a procurar a ave embalsamada. Os motivos? Bastante obscuros. A recompensa? Deveras aliciante. A resposta? Não, o genial Fitz recusa-se a colaborar. No entanto, ao voltar para casa, descobre que a mesma foi assaltada e que o objecto da devassa eram… os seus apontamentos.

Lança-se então na tentativa de recapitular a história da ave, descobrindo pormenores surpreendentes sobre o papel de uma estranha Miss B na vida e na carreira de Joseph Banks.
Poderá ser ela a chave do mistério – chave que o leve até à descoberta da Misteriosa Ave de Ulieta?
Saltando entre dois períodos, de uma história de amor para a história de uma pesquisa científica de proporções detectivescas,este romance é simultaneamente o relato da vida secreta de Joseph Banks e a corrida quase impossível de Fitz para encontrar a ave desaparecida.


A Minha Opinião:

Descobri este livro, por acaso, estava ele pousado na montra de uma livraria pequenina. Uma capa linda e um título chamativo. E assim foi, após de ler a sinopse, a decisão de compra foi imediata e não esperei mais tempo para começar a ler este livro, deixando os outros para depois!

Foi delicioso ler este romance, tão interessante, misterioso e emocionante! Uma narrativa única com uma escrita fluente que me embalou e encantou até ao fim das páginas. Adorei seguir o percurso de investigação com Fitz e Katya em busca da Misteriosa Ave de Ulieta e ao mesmo tempo ter recuado à época de Joseph Banks quando este conheceu Miss B, possuidora de uns lindos olhos verdes que vivia com uma paixão pela pintura e natureza, muito inteligente, diferente das mulheres daquela época…

«Um policial ambicioso [...] O autor é tão realista nas suas descrições que os leitores quase conseguem cheirar e tocar as suas cenas [...] À medida que o presente e o passado começam a fundir-se em inesperados laços, o romance torna-se cada vez mais aliciante" - CLEVEND PLAIN DEALER


Fiz o vídeo-book, em dedicação ao livro que me encheu de medidas, após de ter feito pesquisa na Internet sobre o Joseph Banks e a Misteriosa Ave de Ulieta.



Não Sei nada sobre o Amor

sábado, 14 de novembro de 2009


Sinopse Aqui


A minha Opinião:

Só tenho duas palavras para definir esta história: enervante e deprimente.

As personagens estão bem caracterizadas assim como os seus sentimentos bem definidos e apalpáveis. A escrita é fluente que se lê bem. Mas a história em si foi o que mais me desagradou. Posso dizer que andei a ler com o fumo a sair pelas orelhas, nariz e boca. Até tive vontade de esfolar as páginas, mas não o fiz por o livro ser emprestado, foi o que valeu!

Infelizmente, este livro é o retrato fiel das mulheres portuguesas no tempo de Salazar até à actualidade. Das nossas bisavós e avós que nada sabiam sobre o Amor. Das mães que passaram pelo 25 de Abril e vivenciaram as mudanças. Até às filhas da actualidade…

Houve um único senão: o final demasiado apressado. Mas ainda bem. Fiquei muito cansada com esta leitura.

Classificação: 2/5 (esta classificação tem mais a ver com a minha apreciação à história do que pela escrita ou desenvolvimento da história)

Um Leão Chamado Christian

segunda-feira, 26 de outubro de 2009




A Minha Opinião:

Li. Sorri. Deliciei. AMEI! Uma história verídica extraordinária, esplêndida, tocante, ternurenta, comovente!

Ace e John, dois amigos australianos, encontravam-se em Londres a trabalhar numa loja chamada Sophistocat e viviam num apartamento por cima desta loja. Foi nesta cidade que compraram um leão. Passava-se no ano de 1969. Nessa altura, era permitido comprar animais exóticos. Deram-lhe o nome de Christian.

(Ace à esquerda e John com Christian em Londres)


E o que aconteceu depois? Como conseguiram arranjar espaço para Christian? Como o criaram? Foi perigoso? Alguma vez o leãozinho os atacou? Como foi desenvolvida a ligação entre os dois com o leãozinho? Como foi que todos se interagiram?

(John a brincar com Christian)


E o que fizeram estes donos ao Christian quando este cresceu/ficou cada vez maior? Que decisões tomaram?
Já toda a gente sabe, graças ao Youtube, decidiram devolver a liberdade ao Christian.

(John à esquerda e Ace com Christian em África - Quénia/Kora)


Como foi a reacção do leãozinho ao chegar à África? Como decorreu a reabilitação deste? E os donos como reagiram, se estes já estavam tão ligados ao Christian e vice-versa?

Foi o George Adamson que o reabilitou, a mesma pessoa que tinha reabilitado a leoa Elsa (ver o filme “Uma Leoa chamada Elsa” – aqui).



(duas fotos acima: George com Christian)


Recomendo altamente a leitura, conheçam este maravilhoso e dócil Christian, este leaozinho que abraçava e pedia colo aos donos!





Actualmente:

Ace e John continuam vivos, já ambos velhotes.

(Ace à esquerda e John)


Anthony Bourke nasceu em Sydney em 1946. Tornou-se um dos principais curadores de arte da Austrália, sendo pioneiro em arte aborígine e especialista em arte colonial, e realizou várias exposições aclamadas pela crítica. Ace espera se dedicar novamente a projetos de preservação da vida selvagem e ajudar a resolver questões urgentes relativas ao meio ambiente. Atualmente, vive em Sydney com seus dois gatos.

John Rendall é australiano e divide seu tempo entre Londres e Sydney. John continua seu compromisso com a George Adamson Wildlife Preservation Trust e é membro da Royal Geographical Society, em Londres. Trabalha como relações públicas em turismo, concentrando-se em projetos de preservação, hospedagens e reservas ambientais na África. Os três filhos de John compartilham sua paixão pela vida selvagem e preservação da natureza.


Outras Opiniões:

Aqui #1 (da Carla Martins do blog "Leitura (mais que) Obrigatória")
Aqui #2 (da Canochinha do blog "Estante de Livros")
Aqui #3 (da JM do blog Favourite Readings)

Casamento em Veneza

sábado, 24 de outubro de 2009



A minha Opinião:

Terminei-o ontem… Que dizer acerca deste livro?

Tudo começa em torno de um colar, pertencente a uma Imperatriz viúva da China – a Dama do Dragão Cixi que governou a China. Quando esta morreu, o colar foi enterrado juntamente com ela, e em seguida foi roubado por tropas revolucionárias que invadiram a sua sepultura… até que foi parar às mãos da Lily Song, uma mulher asiática, que vive em Xangai. Como é que lhe foi parar? O que vai fazer a Lily com este colar? O que lhe vai acontecer? Haverá traições, perseguições, e até mortes... No meio disto tudo, vai haver romance, mas sobretudo para a Precious – a prima da Lily que vive em França…

A sensação que tive no decorrer da leitura é o mesmo que ver um filme de aventura, tipo Walt Disney, e comer pipocas em simultâneo. Trata-se de uma história fraquinha, nada extraordinária, facílima de prever e também exagerada. Soube desde o princípio quem era o vilão ou assassino.

O que valeu foi a escrita, fluída e agradável… Dava por mim a ler sessenta páginas numa hora, verdadeiramente entretida. E também, o humor ajudou a animar a história, graças às Tias da Precious - a Grizelda e a Mimi. São umas tias especiais!

Apesar da leveza da história, da grande previsibilidade, de algumas partes exageradas e do absurdo final cor-de-rosa, gostei de presenciar estas intrigas e aventura e também “viajar” para Xangai, França e Veneza.

Classificação: 3/5 (Dispensável, mas um bom entretenimento de leitura que prende do ínicio ao fim)

Outras opiniões:
Aqui #1 (do blog BiblioMigalhas)
Aqui #2 (do blog Vidas Desfolhadas)


[O meu obrigado colorido para ti, Migalhas!]

Abismo

domingo, 18 de outubro de 2009


Para ler a sinopse, clique aqui

A minha opinião:

Este livro prendeu-me deste o princípio até ao fim, um thriller muito bem estruturado, original e inteligente, mas não correspondeu às minhas elevadas expectativas.

Sob a superfície do mar, debaixo da plataforma petrolífera, a três mil metros de profundidade, foi construído no leito oceânico, um Centro de Exploração e Recuperação com 12 pisos protegido por uma cúpula, onde estão os cientistas e técnicos a trabalhar, e também os militares do Governo a fazer vigilância e controlo. Alguns destes ocupantes começam a manifestar sintomas estranhos - simples fadiga a episódios psicóticos violentos. Então, tiveram que arranjar um médico especializado para detectar a causa destes sintomas. É com este médico que vamos seguir a história. Tudo o que se passa neste Centro é altamente confidencial… Dizem que encontraram vestígios da antiga Atlântida... Será verdade? Ou mentira? Afinal, o que andam a fazer? Porque tanto secretismo?

Foi um prazer ler este livro. É o tipo de história que me interessa, de facto! Adoro ficcão cientifica! Contudo, devo confessar que foi uma leitura em que exigiu muito da minha concentração… Não se trata de uma história fácil! Esta gira em torno da medicina, matemática, física e geologia, ou seja, centra-se fortemente na investigação científica, na forma como os cientistas trabalham, investigam e descobrem, até os dialógos são cientificos… É verdade que são temas difíceis, mas o autor tem uma grande habilidade de explicar/descrever estas ciências, de clarificar estas investigações numa linguagem bastante acessível para todos. Apesar de ter gostado deste desenrolar da história, do ambiente de investigação, das explicações cientificas e do desenlace final, achei que faltava muitas coisas que poderiam ter tornado a história ainda mais emocionante e inesquecível…

Eis os quatro pontos negativos: os tais sintomas não são muito assustadores (esperava que fossem piores, tipo sanguinários e medonhos!); a história tem pouca acção (só a poucas páginas do final, é que apresenta uma acção QI); não senti nenhuma ligação próxima com as personagens (são superficiais como se as estivéssemos a ver no filme e/ou na série); e não senti nenhuma claustrofobia ou pontadas de terror porque estive demasiado ocupada com os cientistas a desvendar estas causas, a compreender os conceitos científicos, etc.

Se tivessem feito o filme baseado deste livro, eu teria dito: “Não leiam, mas vejam o filme!”. Daria um belo filme, mais claustrofobia e terror, um thriller de cinco estrelas!

Para finalizar, tenho uma nota a dar aos leitores que adoram Arqueologia: não vão encontrar nada sobre Atlântida.

Gostei!

Classificação: 3/5 (Interessante)


Sobre o autor:

Lincoln Child é analista de sistemas e ex-editor, responsável pela publicação de numerosas antologias de narrativas sobrenaturais.
Lincoln Child é co-autor, juntamente com Douglas Preston, de uma série de romances de enorme sucesso, que têm por protagonista o agente especial do FBI Pendergast. Entre esses romances, contam-se, para além de Enxofre, que assinala o início de uma espantosa trilogia, Relic, Mount Dragon, Reliquary, Riptide, Thunderhead, The Ice Limit, Still Life with Crows, The Cabinet of Curiosities e Dance of Death. Estes dois últimos serão brevemente publicados pela Ulisseia.


Até agora, considero o livro “Relíquia” – a minha opinião - aqui, o melhor deste autor em par com o Doulgas Preston, pois foi o que mais me meteu medo, uma história verdadeiramente aterrorizador e impressionante.